Síndrome de Burnout

A síndrome de burnout tornou-se cada vez mais prevalente nas consultas médicas, especialmente após a pandemia e as novas relações de trabalho com o home office. Como sempre destacamos aqui no Bastidores do Revalida, quando um assunto é prevalente no cotidiano, ele se torna questão ou estação para a segunda fase, já que o INEP cobra as competências principalmente da atenção primária.

Definição e Classificação

Segundo a OMS, burnout está incluído no CID-11 sob o código QD85 como fenômeno ocupacional, não sendo classificado como condição médica. É definido como “síndrome resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”.

Três Dimensões Essenciais:

1.Exaustão de energia – fadiga que não melhora com repouso

2.Despersonalização – distância mental do trabalho, cinismo

3.Redução da eficácia profissional – sentimentos de incompetência

O Ministério da Saúde define como “distúrbio emocional com exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de trabalho desgastante”.

Epidemiologia e Fatores de Risco

A síndrome afeta principalmente profissionais que atuam sob pressão constante: médicos, enfermeiros, professores, policiais e jornalistas. A pandemia intensificou o problema, especialmente entre educadores que precisaram adaptar-se rapidamente às tecnologias digitais.

Fatores desencadeantes:

Organizacionais: sobrecarga de trabalho, falta de controle sobre atividades, recompensas inadequadas, ausência de senso de comunidade, conflitos de valores.

Individuais: perfeccionismo excessivo, baixa autoestima, dificuldade em estabelecer limites, tendência ao workaholismo.

Contextuais: mudanças tecnológicas rápidas, instabilidade no emprego, mudanças frequentes na chefia, recursos inadequados.

Manifestações Clínicas Detalhadas

Sintomas Físicos: cansaço excessivo que não melhora com repouso, cefaleia persistente, insônia ou sono não reparador, alterações cardiovasculares (taquicardia, hipertensão), problemas gastrointestinais, dores musculares generalizadas, alterações do apetite.

Sintomas Psicológicos: dificuldade de concentração e memória, sentimentos de incompetência e fracasso profissional, alterações bruscas de humor, irritabilidade, negatividade constante, isolamento social progressivo, sentimentos de desesperança, perda de motivação específica para o trabalho.

Sintomas Comportamentais: diminuição do desempenho profissional, absenteísmo frequente, procrastinação, evitação de responsabilidades, aumento do uso de substâncias.

Evolução: Os sintomas surgem gradualmente e tendem a piorar progressivamente. Muitos pacientes inicialmente minimizam os sinais, interpretando-os como cansaço temporário, o que retarda a busca por ajuda profissional.

Diagnóstico e Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico é eminentemente clínico, realizado por psiquiatra ou psicólogo após avaliação detalhada. A anamnese deve incluir história ocupacional completa, cronologia dos sintomas e sua relação com fatores estressantes do trabalho.

Critérios diagnósticos práticos:

•Contexto ocupacional específico

•Presença das três dimensões (exaustão, despersonalização, ineficácia)

•Duração significativa (várias semanas)

•Impacto funcional no desempenho profissional

•Exclusão de outras condições psiquiátricas

Principais diferenciais:

•Episódio depressivo maior;

•Transtorno de ansiedade generalizada;

•Transtorno de adaptação.

No SUS, o tratamento integral gratuito, sendo os CAPS os locais mais indicados para acompanhamento especializado.

Tratamento Multidisciplinar

Psicoterapia: Constitui o pilar fundamental, com TCC sendo a abordagem mais estudada. Inclui identificação de padrões disfuncionais, desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, técnicas de manejo do estresse e reestruturação cognitiva.

Farmacológico: Antidepressivos, quando há comorbidade com depressão. O tratamento medicamentoso sempre deve ser associado à psicoterapia.

Mudanças no estilo de vida: Atividade física regular (mínimo 150 minutos semanais), higiene do sono adequada, técnicas de relaxamento, modificações na rotina de trabalho quando possível.

Intervenções ocupacionais: Renegociação de responsabilidades, melhoria da comunicação com supervisores, implementação de pausas regulares, desenvolvimento de habilidades de manejo do tempo.

Duração: O tratamento normalmente apresenta melhora entre 1-3 meses, mas pode ser mais prolongado dependendo da gravidade e adesão às intervenções.

Consolidando o conhecimento

Para consolidar tudo isso, trouxemos aqui uma questão objetiva para você não ser surpreendido quando encontrar o tema na sua prova. Segue:

Bastidores do Revalida 2025 – Uma mulher de 32 anos, professora de escola infantil pública há dez anos, procura a unidade básica de saúde com queixa de cansaço intenso e falta de energia há seis meses. Refere que desde o início da pandemia passou por sobrecarga no trabalho devido à necessidade de aprender novas tecnologias e mudança na chefia. Relata que antes tinha esperança nas crianças, mas hoje não tem paciência nem se importa com elas como antes, fazendo suas atividades “de qualquer jeito”. Sente-se fracassada, incompetente e não consegue se concentrar nas aulas. Refere que quando chega em casa tem mais tarefas e aos finais de semana fica sem energia, pensando apenas em ficar em casa. Nega ideação suicida. Ao exame físico, apresenta-se com olhar cabisbaixo, demonstrando apatia, sem outras alterações significativas.

Considerando o quadro clínico apresentado, o diagnóstico mais provável é:

A) episódio depressivo maior. 

B) transtorno de ansiedade generalizada. 

C) síndrome de burnout. 

D) transtorno de adaptação.

Referências: [1] WHO. Burn-out an “occupational phenomenon”: ICD. 2019. [2] Ministério da Saúde. Síndrome de Burnout. Saúde de A a Z.

Bastidores do Revalida – Medicina de prova.

Gabarito: letra C

Síndrome de Burnout.

Esse assunto que está cada vez mais prevalente nas consultas médicas e na prática do dia a dia, ficou mais evidente depois da pandemia e com a novas relações de trabalho principalmente devido ao home office. O Nós do Bastidores sempre ficamos ligados que sempre que um assunto é prevalente na prática, ele se torna uma questão ou uma estação para a segunda fase. Burnout já foi uma estação para a prova prática do revalida de 2023.1. E na postagem de hoje vamos trazer um pequeno resumo sobre essa síndrome que foi inclusa no CID 11 sob o código QD 85 e um exemplo de uma questão como ela pode ser cobrada na nossa prova objetiva.

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